Sem as cicatrizes não haveria lembrança do toque...

Sofro de um mal crônico. A verdade é que nunca procurei um profissional especializado . Talves porque no íntimo não desejo curar-me de tal enfermidade. É um mal que faz bem. Ou seria um bem que me faz mal? Por ser de natureza côngenita, está em mim, intrínseca a meu corpo, ao meu todo. E imaginar-me sem tal mazela é o mesmo que cogitar viver isenta de minha identidade. Nem mesmo a intimidade com o que é inato me torna hábil para administrar os períodos de crise. As vezes eu ignoro a intuição e subestimo os paleativos. E como uma criança mimada, recuso as doses com cara feia.Desejo que os sintomas me consumam de maneira nova, anseio ser surpreendida em meio ao que é tão familiar. E a cada manifestação, diferentes são as sensações no corpo e na alma. Absorver vidas e tomá-las para si é uma enfermidade rara. Poucos conseguem conviver com ela uma vez que as marcas ocasionadas pelo toque de cada vida são profundas. E até cicatrizarem (quando cicatrizam) , passam por um processo dolorido. Talves seja um mal crônico porque assim idealizo. Não por mazoquismo como supõem alguns, mas pela magia e mistério que há nas vidas que absorvo e toco. Recuso a cura, eu quero sentir meu âmago encarar e roçar outros âmagos . Não me importa as cicatrizes, sem elas nunca lembraria das vidas que alcancei.
Por um acaso a procura de uma imagem que pudesse traduzir meu soneto monotrófico acabei me deparando com seu blog, e posso dizer que escrever perfeitamente bem, belo texto.
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