sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Homicidas


Já morri inúmeras vezes. Se fosse contabilizar ( considerando toda a minha existência), iria precisar de muito tempo. Engana-se quem em suas conjecturas, pressupõe que só há uma forma de falecer. A morte não é apenas o fim da matéria. Todos os dias morremos. Diariamente somos atingidos de maneira fatal por olhares furiosos, tristonhos, opacos, frios, indiferentes. E como mísseis precisos atingem a alma.

Algumas outras vezes, são as palavras que corroem com o pior dos ácidos: o desprezo. Abraços negados e sentimentos rejeitados como lâminas dilaceram o âmago. Todos os dias morremos. Quer seja homicídio ou suicídio. Sim, suicídio. Também ingerimos gotas letais de nosso próprio veneno. Com orgulho exarcebado e arrogância desmedida nos autofalgelamos. Todos os dias matamos.

E o curioso é que tememos perecer como se esse fenômeno fosse incomum, desconhecido. Ignoramos o fato de que o '' deixar de respirar'' faz parte da vida e fingimos não saber que é contra a natureza da alma ferir outras almas . Lamentamos o adeus eterno com tanto pesar que chega a ser ironico. Pois cotidianamente matamos o que há de mais belo nas pessoas: a essência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário