quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Precoce


O meu olhar era de admiração, de encantamento. Era isso mesmo. Encanto! Por razões que eu não saberia explicar contemplei aquele rosto minuciosamente. Fiquei alguns minutos paralisada, não conseguia assimilar os acontecimentos. Estava em uma festa, mas outra festa acontecia simultâneamente , dentro de mim.

A ingenuidade do que sentia era compatível com a inocência dele. Era noite. Poderia ser mais perfeito? A mémoria apenas reforça agora o que sempre tive convicção: a escuridão noturna me rege. Eu não queria nada, nem que ele me visse , nem que me conhecesse. Desejava apenas observá-lo e dessa maneira já era perfeito demais.

Recordo- me da música que celebrou nosso encontro. Aliás, eu o encontrei, ele nunca me encontrou . Tomei posse da sua existência naquele momento. Uma vida que passou a me pertencer eternamente. Menino alvo de cabelos negros, que ao som de uma melodia nada apropriada, uma vez que falava do Senegal, nem ao menos sabe que foi protagonista de um evento lindo

Hoje, 23 anos depois, onde estará ele? Qual será o seu nome? Não importa. Ele estava lá, na hora certa, no lugar certo para ser o primeiro amor de uma garotinha de 4 anos.

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